Porto Iracema abre 8ª Mostra de Artes (MOPI) com websérie de dança no Instagram

Esta é a primeira edição em que a tradicional Mostra de Artes do Porto Iracema acontece de maneira virtual. Trabalho “Tudo o que tiver de ser, será?” é a finalização do projeto “Eu Só Trabalho Com Referência!”, do Laboratório de Dança

“Um trabalho que cabe na palma da mão e que passeia pelas referências que o fomentaram”. Assim descreve a artista Janaína Bento a websérie “Tudo o que tiver de ser, será?”. A obra vai estrear na próxima segunda-feira, dia 24 de maio, pelo Instagram, abrindo a 8ª Mostra de Artes do Porto Iracema (MOPI). Além de Janaína, Thiago Torres e Vince Rodrig formam o grupo de artistas que apresentam a finalização do projeto “Eu Só Trabalho Com Referência!”, desenvolvido na edição 2020-21 do Laboratório de Dança.

Janaína Bento, artista do projeto “Eu Só Trabalho Com Referência!”

Dividida em quatro episódios independentes de cerca de cinco minutos cada, a websérie será exibida ao longo da última semana de maio, sempre às 15h, no IGTV do Porto Iracema das Artes. O primeiro episódio tem o título “Somos todas fantasias” e vai ao ar na segunda (24). Na quarta-feira (26) é a vez de “Montação”, seguido do terceiro episódio, “Fantasia no ar”, que poderá ser conferido na sexta-feira (28). A série termina no sábado (29), com “Pablo, qual é a dança?”. O último dia das apresentações virtuais culmina com um bate-papo, das 16h às 18h, no Canal do YouTube da Escola, que terá a participação dos artistas e do tutor Neto Machado.

A série é o primeiro trabalho do Laboratório de Dança 2020-21 a se apresentar na já tradicional Mostra de Artes do Porto Iracema (MOPI), que chega à oitava edição com diversas novidades em relação aos anos anteriores. “A MOPI é um dos momentos mais importantes de todo o processo de formação dos Laboratórios de Criação. Um momento de encontro com o público. No ambiente da pandemia, a experiência foi tensionada pelos desafios do isolamento e dos riscos de vida. Os artistas responderam de forma potente, mobilizando novas sensibilidades que podem ser acessadas através da MOPI, que reúne um conjunto de projetos artísticos de extraordinária beleza e provocação”, destaca Bete Jaguaribe, diretora de formação do Instituto Dragão do Mar (IDM) e da Escola Porto Iracema.

Pesquisa e finalização do Lab

Janaína Bento explica que a decisão pelo formato virtual na finalização do trabalho aconteceu no contexto de isolamento social, com os artistas em casa e contando com ensaios e experimentações online. A pesquisadora em dança comenta que os dois primeiros meses foram de grande produção, resultando em “uma gama de opções” e experimentos que fomentaram a criação artística.

“A pesquisa desenvolvida no Laboratório teve seu tempo de gestão e amadurecimento. Ao longo desses sete meses, que estão por findar, pudemos fazer o levantamento de materiais e, quando falamos de dança, os materiais envolvem movimento, e trabalhar com eles sob várias perspectivas até chegar ao formato que será apresentado na MOPI. Somos, o grupo, muito intensos”, descreve Janaína.

Registro de oficina interna para o projeto “Eu Só Trabalho Com Referência!”, com Rosa Ana, nos dias 01 e 02 de Março de 2021. Foto: Vince Rodrig

A pesquisa inicial “Eu Só Trabalho Com Referência!”, proposta para o Lab Dança, abordava a ideia da “referência” como uma memória televisiva, e pode ser acessada AQUI. No começo, o grupo idealizava realizar um trabalho cênico em um palco e para um público reduzido. Posteriormente, eles pensaram na gravação de uma apresentação em um teatro, sem público, como aconteceu para as Rotas de Criação, etapa anterior à MOPI em que é feita uma apresentação do estágio da pesquisa.

Thiago Mota, artista do projeto “Eu Só Trabalho Com Referência!”

No entanto, o processo levou os artistas a fazerem adaptações que chegaram a um novo trabalho, conforme explica Thiago Mota. Ele destaca a possibilidade de divulgação com o novo formato, além do diferencial de realizar um trabalho no Instagram e se utilizando de “argumentos” da plataforma, como filtros da rede social que compõem os episódios. A rede, aliás, foi escolhida pelos artistas pensando na grande quantidade de acessos. “A gente pegou o que era mais importante dramaturgicamente para o trabalho”, destaca o professor e pesquisador, citando os elementos da dublagem, a performance de dança, o cover e os shows de programas de TV. A pergunta escolhida para o título da série é uma referência ao filme clássico da Xuxa, “Lua de Cristal”, de 1990.

Os espaços do quarto e do banheiro, que passaram a ficar aparentes com a invasão das lives no ambiente doméstico, também estão presentes nos episódios. Thiago Mota conta que a casa é o espaço cênico da série e lembra que, em geral, ela é justamente o primeiro local de apresentação durante a infância, além da escola, ponto discutido durante a concepção de “Tudo o que tiver de ser, será?”. O projeto, explica Thiago, questiona: “Como a TV nos coreografou e nos coreografa? Que histórias da dança a TV contou? Que outras histórias da dança ela apagou?”.

Desafios da MOPI 8

A coordenadora do Laboratório de Dança da Escola, Carolina Wiehoff, destaca os desafios desta oitava edição da Mostra de Artes do Porto Iracema. “Nesse momento de pandemia, a finalização da oitava edição dos Laboratórios de Criação, a Mopi 8, é um desafio enorme, sobretudo para as Artes Cênicas, que pressupõem encontros presenciais, espaços para poder ensaiar, experimentar, trabalhar estados de presença. Ao longo desses sete meses de processo de pesquisa, tornou-se urgente a necessidade de se reinventar e desapegar das expectativas iniciais. Os projetos do Lab Dança em realização neste momento sofrem especialmente porque foram concebidos no período pré-pandêmico, o que implica um criativo esforço de adaptação para o regime remoto”, conclui.

Sinopse de “Tudo o que tiver de ser, será?”

Vince Rodrig, artista do projeto “Eu Só Trabalho Com Referência!”

Certa vez, uma tal de Maria das Graças colocou na cabeça de três crianças do Ceará que elas poderiam ser tudo que quisessem, inclusive, uma Xuxa cearense. Maria só não contava com a astúcia de Janaína Bento, Thiago Torres e Vince Rodrig, que depois de vinte e tantos anos colocaram uma interrogação de cristal nessa história, criando uma dança que não veio para explicar, veio para confundir! Como covers de si mesmos, Janaína, Thiago e Vince apresentam “Tudo o que tiver de ser, será?”, mais uma fantasia da plataforma de criação “Eu Só Trabalho Com Referência!”. Com tutoria da fada madrinha, Neto Machado, a série, dividida em quatro episódios, constrói desejos que escorrem pela boca e fazem coreografias que cabem na palma da sua mão! Basta você querer, poder e conseguir achar o IGTV do Porto Iracema das Artes em seu perfil do Instagram.

Ficha técnica

Criadores-intérpretes: Janaína Bento, Thiago Torres e Vince Rodrig
Concepção dramatúrgica de vídeo: Janaína Bento, Thiago Torres e Vince Rodrig
Tutoria do projeto: Neto Machado
Montagem dos vídeos: Equipe NAVE Porto Iracema das Artes.
Agradecimentos: Carol Wiehoff, CENA 15, Robert Bernardo, Rosa Ana e Henrique Saidel

Sobre os artistas

Thiago Mota

Thiago Mota é mestre em Artes e bacharel em dança pela UFC. Atua profissionalmente na dança desde 2005. É dramaturgista de processos criativos, além de também atuar como pesquisador, professor e criador-intérprete em dança contemporânea.

Janaína Bento

Janaína Bento é artista, pesquisadora da dança, mestra em Artes e bacharela em dança pela UFC. Trabalha com composição coreográfica pesquisando o desenho como prática emancipatória para criação em dança.

Vince Rodrig

Vince Rodrigues é artista formado em licenciatura em Dança pela Universidade Federal do Ceará. Natural de Maranguape, atua como bailarino, coreógrafo e professor de dança contemporânea em projetos de ensino no Estado do Ceará como o projeto Artista-Presente que se realizou em escolas públicas de ensino regular.

Sobre Neto Machado (tutor)

Neto Machado é artista em conexão com as ideias de coreografia, memória e infância. Mestre pelo programa de pós-graduação em Artes Cênicas da UFBA e graduado em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do PR, foi artista bolsista do Instituto Akademie Schloss Solitude – Alemanha (2013/14) e do projeto e.xe.r.ce do Centro Coreográfico de Montpellier – França (20008). Dentre seus trabalhos estão: Coreografia de Papel (Coleção de livros-coreográficos pra crianças); Biblioteca de Dança (instalação sobre histórias da dança); Desastro (peça participante do Palco Giratório do Sesc 2018); Kodak (Prêmio Cultura Inglesa Festival 2011); a série televisiva A Lei do Riso: Crimes Bizarros (indicada ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2019 como melhor série de ficção). Integrante da Dimenti (BA), Neto já se apresentou em mais de 50 cidades brasileiras e 10 países, em locais como: Tate Modern (Inglaterra), MIT (EUA), Centre George Pompidou (França) e o Station One (Sérvia). Mais informações em: netomachado.com.

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, ligada à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há sete anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

O quê: Porto Iracema abre 8ª Mostra de Artes (MOPI) com websérie de dança no Instagram

Quando:
Primeiro episódio: “Somos todas fantasias”, disponível na segunda-feira (24)
Segundo episódio: “Montação”, disponível na quarta-feira (26)
Terceiro episódio: “Fantasia no ar”, disponível na sexta-feira (28)
Quarto episódio: “Pablo, qual é a dança?”, disponível no sábado (29)

Exibição dos episódios e bate-papo com artistas e tutor no sábado (29), das 16h às 18h

Onde: IGTV do Porto Iracema das Artes (exibição dos episódios) e Canal do YouTube da Escola (live com artistas e tutor)
Programação online e gratuita

 

Equipe de Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Texto: Pedro Victor Lacerda (estagiário) | Supervisão e edição: Raphaelle Batista | Publicado em 19/05/2021