Curador e pesquisador Moacir dos Anjos ministra aula aberta “Necrobrasiliana” no Porto Iracema

“Invasão de demônios a Pindorama, após Jean de Léry, Joãozinho Trinta, Tuiutí e Mangueira”, 2019. Óleo sobre tela, 260 x 360 cm, de Thiago Martins de Melo.

A formação abre o módulo “Arte e Política” da Temporada Formativa do Lab Artes Visuais da Escola

O Porto Iracema das Artes recebe, no dia 18 de novembro, a partir das 19h, o curador e pesquisador pernambucano Moacir do Anjos para ministrar o sexto módulo da Temporada Formativa do Laboratório de Artes Visuais, que tem como tema “Arte e Política”. A atividade acontece no Auditório do Porto, é gratuita e aberta a todos os interessados.

Na abertura do módulo, Moacir orienta a aula aberta “Necrobrasiliana – Distribuição de corpos e representação das sobras para decolonizar a brasiliana”, que discutirá criações contemporâneas nas artes visuais que tomam criticamente, como referência e objeto, obras de artistas viajantes entre os séculos XVI e XIX que formam a memória coletiva do período do Brasil Colonial.

Confira a ementa completa:

O Brasil é um país fundado em atos de violência cometidos pelos colonizadores europeus contra os povos indígenas e contra a população negra trazida à força da África e em seguida escravizada. É um país que se institui ancorado no racismo. Atos que promoveram e promovem uma assimétrica distribuição de corpos brancos e não-brancos em lugares de lazer, moradia e trabalho, na qual os primeiros possuem poder de movimento e de mando, enquanto os demais são submetidos, por meios diversos, a um regime de circulação regrada e de obediência às ordens dadas. Distribuição desigual de corpos fixada e reproduzida em imagens já a partir do século XVI, logo após a chegada de colonizadores nas terras que viriam a ser chamadas de Brasil. Em particular, nas imagens criadas ou sugeridas pelos artistas, escritores, cartógrafos e cientistas que vieram ao país entre os séculos XVI e XIX – os chamados viajantes –, incluindo Hans Staden, Jean de Léry, Albert Eckhout, Frans Post, Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas, Victor Frond e vários outros, além de fotógrafos aqui atuantes em meados do século XIX, como Auguste Stahl e Christiano Jr. Obras que integram o conjunto de documentos visuais e escritos conhecido por brasiliana, que informam a memória coletiva que se possui do período e nas quais se vislumbram, ao mesmo tempo que se normalizam, as práticas racistas que inauguraram e fundamentam o Brasil. Criações recentes sugerem, contudo, estar-se formando, no campo das artes visuais, uma nova representação da memória colonial do país, a qual nomeia os danos infligidos a partes de sua população e redistribui, em novos lugares simbólicos, os corpos que o habitam; criações dedicadas a reinterpretar a brasiliana, de modo a realçar as violências implícitas nas imagens que a compõem. A aula Necrobrasiliana discutirá algumas dessas criações contemporâneas que tomam criticamente, como referência e objeto, obras daqueles artistas viajantes.

Sobre Moacir dos Anjos

Moacir dos Anjos é PhD em economia pela University of London e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, onde coordena, desde 2009, o projeto de exposições ‘Política da Arte’. Foi diretor do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM (2001-2006) e pesquisador visitante no centro de pesquisa TrAIN – Transnational Art, Identity and Nation, University of the Arts London (2008-2009). Foi curador do pavilhão brasileiro (Artur Barrio) na 54ª Bienal de Veneza (2011), curador da 29ª Bienal de São Paulo (2010), co-curador da 6ª Bienal do Mercosul, e curador do 30º Panorama da Arte Brasileira e do Museu de Arte Moderna. Foi curador das mostras Cães sem Plumas (2014), no MAMAM, A Queda do Céu (2015), no Paço das Artes, em São Paulo, entre outras.

Publica regularmente em revistas acadêmicas e catálogos de exposição, além de escrever coluna bimestral no site da Revista Zum. É autor dos livros Local/Global. Arte em Trânsito (Zahar, 2005), ArteBra Crítica (Martins Fontes / Automática, 2010) e Contraditório. Arte, Globalização e Pertencimento (Cobogó, 2017), além de editor de Pertença, Caderno_SESC_Videobrasil 8, São Paulo (SESC/Videobrasil, 2012).

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, com seis anos completados em 2019, desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

Serviço
O quê: Curador e pesquisador Moacir dos Anjos ministra aula aberta no Porto Iracema
Quando: Dia 18 de novembro, às 19h
Onde: Auditório do Porto (Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema)
GRATUITO

Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Glauber Sobral
Publicado em 13/11/2019